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Método dos 5 porquê

O método 5 porquê é uma das mais simples e efetivas metodologias usadas para se chegar a causa primeira de um problema. Amplamente usado na indústria e em empresas de serviços, é uma ferramenta muito ligada à gestão da qualidade total e à melhoria contínua.

O segredo do método 5 porquê está exatamente em sua praticidade e efetividade. O que deve ser feito ao se deparar com um problema ou inconformidade é se perguntar porque aquilo ocorreu e, em seguida, se perguntar de novo em relação a resposta dada e assim por diante até se chegar ao quinto porquê.

Criado pelo famoso engenheiro Taiichi Ohno, considerado um dos principais responsáveis pela criação da Metodologia Toyota de Produção, o método 5 porquê tem um objetivo claro: determinar a causa raiz de um problema.

Os porquês do método 5 porquê

Vamos começar com a definição de causa raiz: É a causa primeira, aquela que, lá atrás, deu origem ao problema. Com essa sequência de 5 perguntas procurando o porquê de algo, Ohno conseguiu que as pessoas fugissem de um comportamento muito comum e difícil de erradicar no ser humano: confundir a causa de um problema com uma característica dele ou um sintoma.

Por exemplo: Digamos que você vai usar seu carro pela manhã e ao tentar dar a partida descobre que o carro está com defeito, ele não liga. Ao se perguntar por qual motivo ele não liga, descobre que a bateria está descarrega. Chega então a conclusão de que o carro está com defeito porque a bateria está descarregada.

Mas não! Na verdade, o fato da bateria estar descarregada não é a causa do defeito, é parte dele! É preciso descobrir porque a bateria descarregou. E assim sucessivamente até se chegar a causa raiz. A bateria pode estar descarregada porque você esqueceu os faróis ligados ao chegar em casa na noite anterior, ou por um defeito de fabricação da bateria, ou algo mais difícil de detectar, como um erro no software do carro ou mesmo devido a um curto circuito leve, causado por algum fio que está entrando em contato com outro.

Imagine que você simplesmente troque a bateria e, no dia seguinte, o carro não funcione novamente. Se você tivesse continuado a sequência de perguntas até o quinto porquê, talvez tivesse descoberto que a bateria descarregou, vamos dizer, pelo defeito no software do carro, então teria levado ao mecânico, que teria se perguntado porque o software estava com defeito e o reinstalado corretamente.

Em seguida, ele deveria reportar à fábrica, que descobriria se aquele software específico instalado no seu carro estava programado erroneamente (e porque passou despercebido pelo controle de qualidade) ou se na verdade todos os softwares instalados vão apresentar este mesmo defeito mais cedo ou mais tarde e é preciso fazer um recall nos automóveis desta fábrica.

Caramba! Como foi longe está história do método 5 porquês!

Outro exemplo, um pouco mais “doméstico”:

Imagine que em sua casa, a luz não está acendendo em determinado cômodo.

Você pode ser perguntar: Por que a luz não acende? A resposta é obvia, deve estar queimada.

Você verifica a lâmpada e descobre que realmente está queimada, mas por que a lâmpada queimou?

Ao verificar a caixa de luz, descobre que o disjuntor referente aquele cômodo está “desarmado”. Você conclui que quando isso aconteceu, mesmo assim a lâmpada queimou antes dele desarmar.

Você poderia simplesmente religá-lo, mas se pergunta: Por que o disjuntor foi desarmado?

Normalmente isso acontece quando a uma oscilação de energia, além da capacidade do disjuntor.

Mas por que houve essa sobrecarga de energia?

Você volta ao cômodo e nota que há vários aparelhos ligados em uma mesma tomada, por meio de um adaptador, o que gerou uma sobrecarga naquele circuito.

Mas por que colocaram tantos aparelhos na mesma tomada?

Por fim, você descobre que uma outra tomada daquele cômodo, antes usada para ligar um dos parelhos à rede elétrica está bloqueada por uma mudança no layout da mobília.

Se no início dessa conversa alguém dissesse que a luz do cômodo não ascendia porque mudaram um móvel de lugar, você consideraria uma resposta adequada? Possivelmente não, por isso os método dos 5 porquês é tão usado.

Veja a sequência de “porquês” usados até se descobrir a verdadeira causa do problema que se queria resolver:

Por que a luz não acende?
Por que a lâmpada queimou?
Por que o disjuntor foi desarmado?
Por que houve essa sobrecarga de energia?
Porque colocaram tantos aparelhos na mesma tomada?

Por que 5 porquês?

Essa é uma boa pergunta. Por que não 4 ou 6? Na verdade, depois de usar o método muitas vezes, Ohno chegou à conclusão que 5 era o número médio de vezes em que era suficiente para se chegar a causa raiz do problema. Podem ser necessários, às vezes, 4 porquês e, em outros casos, mais deles. Mas o ideal é chegar a 5.

Apesar de antiga, a metodologia dos 5 porquê pode trazer respostas importantes durante o redesenho de processos e início das soluções de problemas.