OS EXCESSOS DO USO DAS REDES SOCIAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO

Existe atualmente uma grande preocupação das empresas, com relação ao crescente uso das redes sociais pelos seus colaboradores durante o expediente, causando fragilidade sobre a segurança das informações sigilosas e a queda da produtividade, pela navegação na Internet durante o horário de trabalho.

Considerando que o Brasil está entre os quatro países que mais acessam as redes sociais, muitas empresas estão adotando programas de monitoramento dos computadores utilizados pelos colaboradores, quanto ao uso das redes sociais utilizadas no ambiente e no horário de trabalho.

É, no entanto, indispensável que as empresas informem sobre o monitoramento e sobre a eventual proibição do uso desses aplicativos no trabalho ou de revelar informações e estratégias empresariais, e que tenham o cuidado necessário para não invadir a intimidade ou privacidade do empregado em tais monitoramentos.

Por outro lado, é preciso que os trabalhadores tenham cuidado com as informações que postam nos sites de relacionamento social, que se tornam públicas a partir da divulgação. Apesar de lhes serem constitucionalmente reconhecidos os direitos à intimidade, privacidade e das liberdades de pensamento, expressão, convicção, credo e orientação sexual, na vida profissional os direitos e as liberdades têm por limites a reputação alheia, a finalidade da empresa e as características do contrato de trabalho. Não pode o empregado caluniar contra a imagem da empresa, a honra de seus dirigentes e colegas de trabalho, ou atentar contra a boa-fé e lealdade contratuais, quer tornando públicas informações sigilosas, quer desrespeitando ou expondo o empregador, quer praticando atos incompatíveis com a ideologia da organização para a qual trabalhe.

O relacionamento do trabalhador com a empresa ou seus dirigentes e colegas de trabalho é de natureza pessoal, não lhe cabendo tornar público assuntos que não dizem respeito ao conhecimento alheio. A relação de trabalho é estabelecida com base na reserva de informações e na confiança que deve orientar o relacionamento interno. Revelar estratégias, segredos empresariais ou ofender a imagem do empregador podem levar diretamente à despedida por justa causa. Postar comentários negativos sobre o trabalho ou a empresa, ofender colegas de trabalho, publicar fotos ou situações de gosto duvidoso ou revelar publicamente atos dos dirigentes ou gestores, além de prejudicar o ambiente de trabalho, pode denegrir a imagem e reputação alheias, além da segurança e produtividade da empresa.

No uso de seu poder disciplinar pelos abusos cometidos pelo trabalhador, pode a empresa adverti-lo, suspendê-lo ou mesmo despedi-lo por justa causa, conforme a natureza ou reincidência do descumprimento da obrigação. Por outro lado, compete à empresa respeitar as convicções, amizades, religião e orientação sexual do trabalhador, não lhe sendo permitido atuar de forma invasiva da intimidade e privacidade ou discriminá-lo no acesso ao emprego ou na ascensão a cargos.

Além das sanções pelo descumprimento das obrigações de respeito às condições de trabalho, honra e imagem, as ofensas a essas obrigações, quer por parte do trabalhador, quer por parte das empresa, podem levar ao rompimento do contrato e a indenizações materiais e morais.

Texto de Luzia Contim Moreira, Administradora e Coach (Fonte de Pesquisa: As redes sociais e o ambiente de trabalho, Ramón Munoz)

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